Postagens

Hiphop é foda

  A coisa que mais me encanta no rap do Rodrigo É que ele tem mais de 20 anos de carreira, e NENHUM cd, e ainda sim continua altamente relevante na cena. Para um artista, a métrica  tá alicerçada no Spotify e YouTube… não tem música do Rodrigo no Spotify, não tem clipe oficial (embora eu tenha participado de uns 3, incluindo um com Maria bem bebezinha). Ele subverte a métrica, a lógica que precisamos de cd para comprovar a relevância, e lá vem ele há mais de 20 anos, falando de oralidade, de música e roupa de mensagem e  isso só é possível para quem tem um trabalho coeso, com respeito a cada linha de rap escrita. Rodrigo não desperdiça estudo, linha, show, foto… ele respeita, honra e agradece por poder fazer o que ama, por não ter amor ao dinheiro muito mais que o necessário… Como pouquíssimos artistas, Rodrigo acaba um show, desce do palco e fala com TODAAAS as pessoas, ele é literalmente o último a sair do show, ele conversa, agradece, tira foto, brinca e celebra poder ...

DIE II

 Eu o que eu quero Morrer Acabar com tudo, dar um fim Hoje perdi mais um ente querido  Perdi a carne mais barata do mercado A mulher do fim do mundo  Que cantou,  Cantou até o fim… E eu estou no fim Olho para um penhasco,  Olho para o céu numa tentativa de deixar o acaso me surpreender E nada vem Só dor, angústia, sofrimento e choro Meus ouvidos doem Minha ceba doem juntamente com meu corpo  Que precisa descansar  Preciso morrer Preciso sair daqui  Dessa casca podre, doente e momentânea  Preciso me deixar ir Ir para fora de mim 

DIE

  Sabe as últimas horas antes da cadeira elétrica? Assim que me sinto Todos os dias  Todo  O  Tempo Ouço ao fundo “tec” “tec” O ponteiro dos segundos do relógio  Vem vindo e Parece gritar Dentro da minha cabeça  Eu me sinto constantemente Passada pra trás Sozinha Sem que ninguém alivie para mim N E N H U M Momento Sinto o peso, o ódio de não ter a cor Adorada nessa terra Cavo oportunidades  As unhas Que sangram, quando vislumbro água Ela se desfaz como miragem Gritar? Chorar? E não é isso que eu mais faço?  Na maioria das vezes sorrindo ou calada Tudo parece ter chegado ao fim Tudo perde sentido. Enquanto estou sozinha neste oceano, Deste bote Vejo distante um iate Vejo mulheres rindo, me chamando  Tento remar,  Me jogo no mar na esperança De nadar E nada. Nada acontece  Tudo se esvai “tec” “tec” “tec” O tempo me trás a urgência Me trás o medo  Me trás o desespero  De amar muito uma coisa e ela não te amar de volta Ela não...

OLHOS

Fechei os olhos Abri e lá estava você Sorrindo pra mim Você me tocou com suas mãos leves e firmes Dedos que entram na minha carne e não sangram Barulho que não cessa, respiração. Meus gemidos cheios de sentimentos  Meu corpo que se fundiu ao seu  Se é que em algum momento não estivessem fundidos Transa de horas, sem pressa  Com calma, tesão, conexão  Sem culpa Sem culpa por te desejar e sucumbir ao desejo Em ação  Suas mãos… Leves que brincavam com meu corpo  Dedos astutos que entravam e saíam de mim Minha boca aberta a sua disposição  Úmida, quente e desejando por você dentro dela Boca, que te beijou incontáveis vezes  Boca, que sussurrou seu nome ao vento  Boca, que sentiu medo por estar ali.

PESO

Dores profundas que anseiam por serem resinificadas O sono não revigora O banho não limpa O ar não deixa tudo leve É uma constante corda bamba Me pergunto: onde estou errando? O que falta? Sempre falta algo,  E é sempre tão pouco… Um pouco mais de Sol Talvez um pouco mais de praia Pouco mais de capitalização  Olho pela janela Vejo os vassalos e suas moradas  Vejo os burgueses na sua pseudo mansão  Vozes silenciadas Dores ignoradas  Sonhos dilacerados O que tu teme? O que te prende? Mal do homem é vaidade É nela que moram nossas mazelas Ego, luxúria, avareza  Tudo vaidade, tudo nosso imenso poder de (des)controle Nem 39% de álcool tem sido capaz de aliviar Nem a sativa diária me amortiza  Tudo dói  Dores profundas, dores que nem eu sabia que ainda doíam E doem  Como doem Essa é minha vida? Essa é minha vida! Os olhos começam a doer A cabeça não corresponde Meu corpo atônito, esmorece  Aos céus clamo Recebo um trovão como resposta Pontos b...

INVISÍVEL

A vi sentada no chão As lágrimas em rios Com o olhar perdido Eu nunca havia a visto assim Exausta Invisível Não era possível e achei que meus olhos mentiram para mim Ela passava as mãos na coroa Lápis Lazúli  Via os cauris caindo e ela não se preocupava Era como se suas joias não importasse mais  Nada importava Somente aquele momento, Aqueles raros momentos em que o Sol do seu olhar  se perdia se despedia se trancava num lugar muito escuro Sim, ela estava no escuro, logo ela que é amante das luzes Tentei estender a mão "minha Senhora!" Ela levantou um dedo, me negando chegar perto e vê-la naquele estado A beleza na imperfeição Só isso ecoava na minha cabeça Queria acolher minha Senhora Mas não devia Queria poder dizer a ela que ninguém a faria mal. Mas não podia... Fiquei ali sentada na porta do seu quarto real Horas, até que por exaustão fui levada por Morfeu Abro os olhos  E o Sol se mostra  "Minha Senhora?!" Ela sorri e me convida Pego sua coroa, lhe coloco a...

Ringaco & Quinalear

 Louquinha Ela ri alto, balanças os quadris, insana, sexy, divertida e submissa. Doutora? Ouve alguém chamando... Fecha os olhos e leva o corpo para descansar sobre a mesa. Os abre. Olha ao redor, a percepção é sutil, roupas no chão, barulho de água, Objetos estranhos... Cheiro de diamba, tossindo, e com a vista turva tentou encontrar quem estava naquele quarto. Sai ele: um lobo vendo uma lebre, cicatrizado na pele. Me ajoelhei, enquanto ele brincava com meus cabelos como se fosse um pelo de um felino, me colocou uma coleira Ele se sentou, me sentei aos seus pés no chão frio... Enquanto os homens conversavam, todos me olhavam, todos nos olhavam. Ele ria um riso maléfico, eu umedecia em todas as partes   "Minha Doutora!", retribui em sorriso para ele "Vão para o Inferno! Todos vocês saiam daqui, agoraaaaaaaaa!" Enquanto via as pessoas pegando as roupas do chão, garrafas caindo, ele me olhava pronto para me devorar Quando todos se foram e o silêncio tomou conta,  Ele ...