Hiphop é foda
A coisa que mais me encanta no rap do Rodrigo
É que ele tem mais de 20 anos de carreira, e NENHUM cd, e ainda sim continua altamente relevante na cena.
Para um artista, a métrica tá alicerçada no Spotify e YouTube… não tem música do Rodrigo no Spotify, não tem clipe oficial (embora eu tenha participado de uns 3, incluindo um com Maria bem bebezinha). Ele subverte a métrica, a lógica que precisamos de cd para comprovar a relevância, e lá vem ele há mais de 20 anos, falando de oralidade, de música e roupa de mensagem e isso só é possível para quem tem um trabalho coeso, com respeito a cada linha de rap escrita.
Rodrigo não desperdiça estudo, linha, show, foto… ele respeita, honra e agradece por poder fazer o que ama, por não ter amor ao dinheiro muito mais que o necessário…
Como pouquíssimos artistas, Rodrigo acaba um show, desce do palco e fala com TODAAAS as pessoas, ele é literalmente o último a sair do show, ele conversa, agradece, tira foto, brinca e celebra poder fazer o que ama, e nós público e amigos, só damos graças por poder conviver com um artista acessível.
Sobre as músicas, cada uma tem vida própria, como o espírito do tempo, ele tece uma narrativa auditiva que nos move, “viver disso é difícil raros chegam a esse nível, mas eu amo tanto o que faço que esse amor faz ser possível”, trecho eternizado na minha pele para eu não me esquecer o objetivo disso tudo.
O Rodrigo é um griot, e é junto com ele que o hiphop se renova, ontem no Sesc Campo Limpo tive mais um momento feliz com o gênero musical que mudou a minha vida!
Vi meus amigos com seus filhos, com suas famílias… envelhecemos vendo a cena rap se desenvolver, renovamos o amor pelo hiphop através das suas músicas, da sua conduta, uma comunidade que abraça, que ama, que alavanca, que salva vidas!
Salvou a minha! Uma menina preta retinta, com pais separados, periférica, quando o hiphop apareceu na minha porta, foi com ele que aprendi sobre masculinidades, sobre relacionamentos, sobre o cotidiano da vida das mulheres pretas, da periferia, era como se o rap fosse meu pai me aconselhando, me falando sobre alternativas…
Foi trabalhando com o Rodrigo que aprendi sobre estar disponível para o outro, ele constantemente fala com as pessoas, troca ideias, auxilia, cria laços verdadeiros que só o rap pode criar,
Pq somos uma grande família, alicerçada através dos ouvidos, do cérebro e principalmente através do coração.
Meu Deus como eu amo e sou grata ao Rap
Vida longa e próspera ao Rap
O hiphop é foda.
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