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Essência I

Ela queria um porto seguro Queria alguém para dormir Mulher de pouca fé acalma a tempestade Ela não precisa  Pq é centelha do universo  Ela é um oceano  Todos nós somos Mesmo que estejamos contidos na palma que uma mão Ainda somos oceano E quando voltamos para o oceano Continuamos a ser Por você não deixa de ser uma única coisa Essência  Este corpo envelhece e morre As roupas, as festas, os amigos Tudo se desfaz na linha do tempo Mas uma coisa permanece Permanece até o fim de toda e qualquer vida neste plano Que é a  Essência 

Sobre o passado

Ela olhou pra trás... E viu aquela cena Daquele dia onde a vida se tornou um monte de sacos pretos de lixo Estava tudo lá Uma vida inteira Quis pedir pra ficar mas não o fez Quis pedir perdão  Mas de nada adiantaria Isso não muda nada entre nós! Disse o Rei... E como uma Rainha sem Trono Se foi Decidiu MAIS UMA VEZ Que aquela seria a última vez E se fechou Se fechou pro mundo Passaram-se anos E ela ainda sente o gosto do beijo dele Ainda consegue ouvir o som da voz O cheiro e textura do sexo O amor... Queria aquilo de novo Queria sentir aquilo por alguém  Queria dormir e acordar naquele quarto Onde tinha armários, basculante sobre a cama que ficava fixa na parede E o chão vermelho sangue Ela não era mais de ninguém Porque ainda esperava o dia que fosse dele Dizem que levamos um segundo para se apaixonar  E uma vida toda para esquecer... Ela olhava pra Lua Pedindo que ela trouxesse um amor 

Sankofa

Ele olhou para as costas dela E perguntou - Isso é um Adinkra? Como Capitu sorriu Com aquele sorriso e aquela boca.. - Me diga mais sobre! Ela enigmática como uma esfinge  Respondeu É sobre voltar pra casa Ele não entendeu e perguntou Pq ela queria ir embora - Não é sobre ir embora, é sobre voltar pra casa! Voltar pra minha mãe...  Mãe África  Enquanto ela balançava os quadris Ele via suas marcas se revelando  Por baixo daquela roupa leve e fina Via outras formas Via aquela pele preta Aquela coroa Azul A reverenciou  Se ajoelhou diante da Rainha E pediu uma audiência a sós No leito real  Se delirou  Deleitei daquele corpo Daquela mulher Daquela Rainha Quando despertou  Viu um bilhete escrito com letras azuis "Sankofa - nunca é tarde para voltar e apanhar o que ficou atrás... Eu esperei você desde 2011"

Alguém

São 03:031 Não há ninguém lá Falou com os guardas Que lhe foram gentis e sorriram Ela girou a chave na maçaneta  Uma porta se abriu Estava tudo na penumbra  Um silêncio bibliotecário  Do nada apareceram devotos servos Os dispensou com um duro gesto  Queria ficar só  Queria ficar com alguém  Mas não com aqueles alguém  Queria mesmo poder discutir  Ouvir aquelas músicas  Ter pra quem dedicar os escritos  Mas não há Não há ninguém lá Ela olhava para fora do Palácio  Viu uma casal se amando Pode sentir o toque Pode sentir o gosto da boca dele Embora ele não existisse O que ela poderia fazer? Olhou para a mesa Se debruçou sobre ela Começou a ler sobre  Os assuntos reais...

Inferno Astral

Não há ninguém pra ligar Quando as coisas ficam difíceis  Quando soi tentanda pelo mal São tantas coisas ruins acontecem O mundo caindo Dando errado Estou com meu emocional abalado Me sinto sozinha Sem amor Sem se apaixonar Ainda que eu seja apaixonante Queria me apaixonar Ter com que dividir a vida

Assuntos do coração!

Seu amor me salvou Quando eu estava caindo  Ele me libertou Que saudade de você Que saudade do café quente Na cidade fria Que saudade De poder ouvir nossas estórias Narradas por tua voz  Astuta E cheia de flow Saudade dos desenhos e das noites-dia E dos dias-noite De ouvir você me chamar de preta Não negra A não necrosada A não morta por ter sido arrancada da sua Terra A preta A mulher livre, esperta e cheia de risos Que ecoavam a casa toda E transformavam aquela cidade fria Numa cidade ensolarada e cheia de calor  Você me libertou  E eu segui Andei pra frente e para os lados Esperando te encontrar novamente  Esperando por você Esperando você me falar Aquilo que sua alma diz a minha Aquilo que seu corpo diz ao meu Você me libertou  E me deixou ir  E eu fui...  

Espelho

Quantas vezes você pensou em desistir? Em entregar os pontos? Em sumir? Em se isolar do mundo? Eu sei que não é fácil Sei o que você está passando  Sei dos seus medos mais íntimos  Sei qual é a sensação do frio E da fome Sei o que é a quase-morte Mas você vai conseguir  Porque mais do que aprender a cair Você aprendeu a levantar E você só perde Quando cansa de levantar Então levante! Ande... Você vai conseguir Disse aquela mulher alta pra mim Eu olhei pra cima e só pude ver uma coroa azul no espelho