Sentimentos Gritantes em Tempos de Silêncio

Fechei os olhos
Tornei a abrir

Era uma floresta impenetrável
Escura
Os galhos me arranhavam
As folhas eram duras e afiadas
Gritava e ninguém ouvia
Queria desistir mas eu precisava ir
Ouvia um chamado no fundo

Uma luz
Segui enfrente e de repente
Abriu um clarão
Um sol gostoso bateu em meu rosto
Secando o sangue, o suor e as lágrimas

Meus pés descalços
Conectou-me a ela,
Terra
Mãe acolhedora que nos nutre
Senti seu calor
Agradeci por estar ali
Ela me retribuiu com o sol

Enquanto eu sorria para o sol
O barulho da cachoeira me chamava.
E assim fui...

Mergulhei
Mergulhei tão fundo
Onde eu poderia respirar
As lágrimas, os gozos tudo a água lavou
Transmutou em algo melhor do que eu poderia imaginar
Ela me disse:
“É hoje de ir!”

Elas dançavam
Uma dança tão hipnotizantes
Meus olhos vidraram naquelas cores
Vermelhos e amarelos
O Fogo
Elas me convidaram e dancei no meio do fogo
Meu corpo se aqueceu,
Meu sexo aflorou
Meus olhos de Capitu pareciam ter brasas...
Eu era o fogo
E como fogo eu não poderia ser contida

O ar me chamou,
Envolta num redemoinho
Levitei
Voei, leve me senti pluma
E vi passarinhos
Borboletas...

Voando meu corpo foi caindo
Caindo
Caindo
Caindo mas sem desespero
Cai de olhos fechados
E quando abri
Aqui estava
Deitada em meu leito real
Sozinha
Chorando e agradecida por tudo



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